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Acordos

Existem alguns contratos invisíveis. Alguns é pouco. São muitos, dezenas, centenas desse tipo de entendimentos (ou desentendimentos) tácitos entre nós, os humanos em geral e brasileiros em particular.

Acordos 2

Existem alguns contratos invisíveis. Alguns é pouco. São muitos, dezenas, centenas desse tipo entendimentos (ou desentendimentos) tácitos entre nós, os humanos em geral e brasileiros em particular. Com isso na cabeça pensei em algo que resumisse tudo isso.

A corridinha.Você está caminhando na cidade e precisa atravessar a rua. Vendo isso, o motorista para o carro para você passar para o outro lado. Nesse momento, é o seu momento, o momento mágico que confirma uma relação e estabelece um relacionamento fugaz.

É a hora que você simula uma corridinha. Nem é uma corridinha. É mais o gestual de um suposto esforço que te põe na velocidade da gratidão por aquilo. Não dá meia caloria, mas o motorista vai se sentir reconhecido em sua civilidade.

A corridinha também é a capitulação ao mais forte. Ele podia, mas escolheu não te atropelar. Mais do que isso, resolveu abrir passagem, um Moisés do trânsito. Aquela corridinha reconfigura as relações, restabelece a possibilidade do diálogo e se não reconstrói a esperança em um mundo melhor, pelo menos reduz a possibilidade de mães sendo citadas de um modo pouco delicado.

A corridinha é a luz, o caminho da salvação, a confirmação da vitória da delicadeza sobre a barbárie. Uma corridinha pode ser o começo de algo, a prova da existência de um ser superior, onipresente e bom: o motorista legal. O sujeito ainda liga o pisca alerta e estaciona em fila tripla, mas agora (também por causa da sua corridinha), existe possibilidade de um dia chegarmos ao avançado estágio moral da extinção das faixas de segurança.

Crianças não saberão o que é um radar. Gerações e gerações do futuro não entenderão a necessidade da CNH, homens e mulheres viverão em harmonia, mesmo que a gente continue sabendo exatamente como não ir a qualquer lugar de carro.

A corridinha pode levar o mundo a um novo patamar relacional, trazendo uma mensagem de amor e paz à humanidade até então desconfiada dos pés próximos demais dos aceleradores. Apoiem a corridinha, divulguem a corridinha, compartilhem a corridinha e pratiquem a corridinha. Depois disso, parar no sinal vermelho vai ser um pulo.

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