Para entender a dimensão dessa conquista, é preciso primeiro entender o que é o Kernel.
Imagine o computador como uma orquestra. Você tem os músicos (o hardware: processador, memória, placa de vídeo) e a partitura (os aplicativos). O Kernel é o maestro, sendo o responsável por dizer qual músico deve tocar em qual momento, garantindo que o som saia perfeito.
Devido à sua complexidade, qualquer alteração na sua documentação exige rigor técnico absoluto.
Foi mergulhando nesse universo que Daniel Pereira, engenheiro de sistemas da HostDime, notou uma lacuna: a estrutura oficial do Linux não possuia uma entrada para o Português Brasileiro.
Ao ser contactado por Jonathan Corbet, o provedor principal da documentação do Kernel em nível global, Daniel descobriu que o problema não era falta de tradutores, mas falta de validadores técnicos. Corbet deixou claro que não aplicaria correções (patches) num idioma que ele não domina sem a garantia de um especialista nativo.
Foi aí que a expertise brasileira entrou em cena e Daniel assumiu a responsabilidade de ser o provedor oficial, tornando-se o filtro de qualidade técnica para tudo o que for documentado no nosso idioma antes de ser incorporado ao código mundial do sistema.