Delírio do “Rei”

Sou mais que um príncipe, Sou Rei, Religioso, Honesto, Trabalhador, Inteligente, Saudável, Bonito, Gostoso, Carinhoso, Romântico, Provedor, Soberano.

Delírio do "Rei":
Onde a Coroa Vira Grade

A imagem que tá rodando nos jornais não é só de embrulhar o estômago; é um atestado de óbito da lógica. Nas mensagens, o Tenente-Coronel se descrevia como um “Rei”, um “Príncipe”, o “Soberano”. Mas, enquanto o mundo via uma farda e um currículo de elite, a intimidade escondia uma psicose de controle fantasiada de virtude.
1. A Moeda de Troca da Posse


​Dá um ligo na lista de “qualidades” que ele postava: “Religioso, Honesto, Trabalhador”. Na sociologia, isso é a Máscara Social. Ele usa o que a sociedade aplaude pra esconder um pensamento medieval: o de que o sustento financeiro dá direito de propriedade.

​Quando ele cobra “investimento em sexo” porque paga o aluguel, ele não tá sendo um parceiro; ele tá agindo como um comprador de alma. Ele confunde o pão na mesa com o direito de ditar o fôlego da mulher.
2. O Contrato do “Macho Alfa” (A Falácia da Biologia)


​A parte mais bizarra das mensagens é o delírio do “Macho Alfa vs. Fêmea Beta”. Esse papo de “autoridade e submissão” é o refúgio de quem tem uma fragilidade catastrófica.

​Quem precisa afirmar que é “rei” a cada mensagem é alguém que morre de medo de não ser ninguém. A necessidade de controlar o batom, o salto e até o cheiro da esposa não é amor; é analfabetismo emocional no nível mais doentio. É o desejo de apagar a pessoa pra que sobre apenas o reflexo do ego dele.
3. A Farda que Não Cura a Mente


​O caso da Soldado Gisele prova que a violência doméstica não escolhe classe social nem nível de estudo. O agressor “perfeito” aos olhos da vizinhança é, muitas vezes, o carrasco dentro de casa.

​Ele usa a inteligência e o cargo pra manipular e isolar a vítima. Ele não suporta o “não”, porque na cabeça dele, o “não” da mulher é uma insubordinação militar. Ele prefere eliminar o “objeto” a aceitar que não é mais o dono dele.
A Verdade Nua e Crua,


​Rei e príncipe é coisa de conto de fadas. No mundo real de 2026, a gente precisa de adultos. Gente que entenda que amor é horizontal, lado a lado; que sexo é troca, não pagamento de conta; e que patente nenhuma dá direito de posse.

​A tragédia dessa militar é o preço altíssimo que a gente paga por uma sociedade que ainda bate palma pro “provedor”, mas esquece de perguntar o que ele cobra no escuro.

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