A Bicicleta Azul
Numa pequena oficina de bicicletas, o mecânico terminava de consertar uma bicicleta azul.
Ela já era antiga. A tinta estava desbotada e o guiador carregava marcas de ferrugem.
Quando o serviço ficou pronto, um colega de trabalho perguntou:
— O dono vem buscá-la hoje?
O mecânico sorriu.
— Ela não tem dono.
Ela já era antiga. A tinta estava desbotada e o guiador carregava marcas de ferrugem.
Quando o serviço ficou pronto, um colega de trabalho perguntou:
— O dono vem buscá-la hoje?
O mecânico sorriu.
— Ela não tem dono.
O rapaz estranhou.
— Então por que perdeu uma manhã inteira consertando isso?
O homem limpou as mãos num pedaço de pano.
— Porque, uma vez por ano, alguém deixa uma bicicleta velha na porta da oficina das bicicletas durante a madrugada.
Nunca descobri quem é.
— Então por que perdeu uma manhã inteira consertando isso?
O homem limpou as mãos num pedaço de pano.
— Porque, uma vez por ano, alguém deixa uma bicicleta velha na porta da oficina das bicicletas durante a madrugada.
Nunca descobri quem é.
Antes do encerramento da oficina, ele colocou a bicicleta na calçada com uma simples placa.
"Se ela puder fazer uma criança sorrir, pode levá-la."
No dia seguinte, a bicicleta havia desaparecido. Nenhum dos dois comentou o assunto. Algumas semanas depois, um menino passou pedalando em frente à oficina.
A bicicleta era a mesma, o sorriso também. O mecânico apenas observou pela janela, ele nunca soube o nome daquela criança e nunca ouviu um "obrigado".
Nem precisava.
Há gestos que encontram a sua recompensa, no instante em que deixam de nos pertencer.
Quando fazemos o bem esperando reconhecimento, ele termina em nós.
Mas, quando o entregamos sem saber para quem será, ele continua viajando pela vida de pessoas que talvez jamais venhamos a conheçer.
Talvez seja por isso. que algumas das coisas mais bonitas que fazemos, nunca voltem para as nossas mãos.
Elas seguem adiante, levando um pouco de nós, para lugares onde os nossos passos nunca chegarão.
Quando fazemos o bem esperando reconhecimento, ele termina em nós.
Mas, quando o entregamos sem saber para quem será, ele continua viajando pela vida de pessoas que talvez jamais venhamos a conheçer.
Talvez seja por isso. que algumas das coisas mais bonitas que fazemos, nunca voltem para as nossas mãos.
Elas seguem adiante, levando um pouco de nós, para lugares onde os nossos passos nunca chegarão.
04
Jul























