A Imperatriz do Brasil
A Imperatriz do Brasil
Em 1919, um casal de idosos posou para uma fotografia. Poucos imaginariam que ali estavam a imperatriz e o príncipe consorte, que o brasil nunca teve!
Renato Drummond Tapioca Neto
À primeira vista, eles pareciam apenas dois simpáticos idosos franceses desfrutando da velhice.
Mas aqueles dois eram ninguém menos que D. Isabel de Bragança, herdeira do trono brasileiro e responsável pela assinatura da Lei Áurea, e o seu marido, o príncipe Gastão de Orléans, conde d’Eu.
Naquele retrato, feito em 1919, estavam diante da câmera, dois sobreviventes de uma vida marcada por alegrias, perdas e um exílio que jamais chegaria ao fim.
Casados desde 1864, Isabel e Gastão, enfrentaram uma das maiores angústias de qualquer dinastia: a falta de um herdeiro.
Mas aqueles dois eram ninguém menos que D. Isabel de Bragança, herdeira do trono brasileiro e responsável pela assinatura da Lei Áurea, e o seu marido, o príncipe Gastão de Orléans, conde d’Eu.
Naquele retrato, feito em 1919, estavam diante da câmera, dois sobreviventes de uma vida marcada por alegrias, perdas e um exílio que jamais chegaria ao fim.
Casados desde 1864, Isabel e Gastão, enfrentaram uma das maiores angústias de qualquer dinastia: a falta de um herdeiro.
Profundamente religiosa, D. Isabel participava de procissões, ajudava na limpeza de igrejas, fazia generosas doações às obras de caridade e libertava escravizados com recursos próprios, muito antes da Abolição.
Nas suas orações, porém, fazia sempre o mesmo pedido: que Deus lhe concedesse um filho, para garantir a continuidade da Casa de Bragança no Brasil.
A primeira gravidez terminou em tragédia.
Em 1874, nasceu morta a pequena D. Luísa Vitória.
Nas suas orações, porém, fazia sempre o mesmo pedido: que Deus lhe concedesse um filho, para garantir a continuidade da Casa de Bragança no Brasil.
A primeira gravidez terminou em tragédia.
Em 1874, nasceu morta a pequena D. Luísa Vitória.
Quando o casal já começava a perder as esperanças, nasceu, a 15 de outubro de 1875, D. Pedro de Alcântara, que recebeu o título de Príncipe do Grão-Pará, reservado ao filho mais velho do Príncipe Imperial.
Depois vieram D. Luís, em 1878, e D. Antônio, em 1881. Pela primeira vez em décadas, a sucessão da monarquia brasileira parecia completamente assegurada.
Mas o destino tinha outros planos.
Na manhã de 15 de novembro de 1889, um golpe militar, derrubou a monarquia e proclamou a República.
Depois vieram D. Luís, em 1878, e D. Antônio, em 1881. Pela primeira vez em décadas, a sucessão da monarquia brasileira parecia completamente assegurada.
Mas o destino tinha outros planos.
Na manhã de 15 de novembro de 1889, um golpe militar, derrubou a monarquia e proclamou a República.
Dois dias depois, na madrugada de 17 de novembro, a família imperial embarcou às pressas rumo ao exílio, levando apenas os seus pertences pessoais.
Era uma despedida que ninguém imaginava definitiva.
Poucas semanas depois, a imperatriz D. Teresa Cristina, profundamente abatida pela expulsão do país, faleceu na cidade do Porto, a 28 de dezembro de 1889.
Dois anos mais tarde, a 5 de dezembro de 1891, também morria D. Pedro II, em Paris.
A partir daquele momento, os monarquistas passaram a reconhecer D. Isabel, como chefe da Casa Imperial do Brasil e, simbolicamente, como a imperatriz de direito.
Era uma despedida que ninguém imaginava definitiva.
Poucas semanas depois, a imperatriz D. Teresa Cristina, profundamente abatida pela expulsão do país, faleceu na cidade do Porto, a 28 de dezembro de 1889.
Dois anos mais tarde, a 5 de dezembro de 1891, também morria D. Pedro II, em Paris.
A partir daquele momento, os monarquistas passaram a reconhecer D. Isabel, como chefe da Casa Imperial do Brasil e, simbolicamente, como a imperatriz de direito.
A família estabeleceu-se no Château d’Eu, na Normandia, antiga residência da família de Gastão.
Foi ali que os três príncipes cresceram, constituíram família e tentaram reconstruir as suas vidas longe do país onde haviam nascido.
Em 1908, o primogênito, D. Pedro de Alcântara, renunciou aos seus direitos dinásticos para se casar com a condessa Elisabeth Dobrzensky de Dobrzenicz, que não pertencia a uma casa reinante.
Com isso, seu irmão D. Luís tornou-se o novo Príncipe Imperial do Brasil.
Foi ali que os três príncipes cresceram, constituíram família e tentaram reconstruir as suas vidas longe do país onde haviam nascido.
Em 1908, o primogênito, D. Pedro de Alcântara, renunciou aos seus direitos dinásticos para se casar com a condessa Elisabeth Dobrzensky de Dobrzenicz, que não pertencia a uma casa reinante.
Com isso, seu irmão D. Luís tornou-se o novo Príncipe Imperial do Brasil.
Mas outra tragédia logo atingiria a família.
Durante a Primeira Guerra Mundial, os filhos de D. Isabel colocaram-se ao lado da França.
O caçula, D. Antônio, serviu como oficial do Exército Francês.
Embora tenha sobrevivido ao conflito, sofreu um grave acidente automobilístico em 1918, em decorrência dos esforços feitos durante a guerra.
Nunca recuperou plenamente a saúde e faleceu em 1919, aos 37 anos.
A dor foi imensa.
Durante a Primeira Guerra Mundial, os filhos de D. Isabel colocaram-se ao lado da França.
O caçula, D. Antônio, serviu como oficial do Exército Francês.
Embora tenha sobrevivido ao conflito, sofreu um grave acidente automobilístico em 1918, em decorrência dos esforços feitos durante a guerra.
Nunca recuperou plenamente a saúde e faleceu em 1919, aos 37 anos.
A dor foi imensa.
Desde o início do conflito, D. Isabel era contrária à guerra.
Mesmo assim, transformou parte do Château d’Eu, num hospital de campanha, acolhendo soldados feridos e auxiliando os esforços humanitários.
Como se perder um filho não bastasse, outro golpe viria pouco tempo depois.
Em 1920, morreu também o príncipe D. Luís, vítima das complicações de uma doença contraída durante o serviço militar na guerra.
Seu filho, D. Pedro Henrique, então com apenas onze anos, tornou-se o novo herdeiro dinástico da Casa Imperial.
Mesmo assim, transformou parte do Château d’Eu, num hospital de campanha, acolhendo soldados feridos e auxiliando os esforços humanitários.
Como se perder um filho não bastasse, outro golpe viria pouco tempo depois.
Em 1920, morreu também o príncipe D. Luís, vítima das complicações de uma doença contraída durante o serviço militar na guerra.
Seu filho, D. Pedro Henrique, então com apenas onze anos, tornou-se o novo herdeiro dinástico da Casa Imperial.
Já bastante debilitada, D. Isabel ainda receberia uma última notícia capaz de lhe devolver a esperança.
Em 1920, o presidente Epitácio Pessoa, revogou oficialmente, o banimento da família imperial brasileira, permitindo o seu retorno ao país após mais de trinta anos de exílio.
No ano seguinte, o conde d’Eu e D. Pedro de Alcântara viajaram para o Brasil, acompanhando os restos mortais de D. Pedro II e D. Teresa Cristina, que seriam trasladados para a Catedral de Petrópolis, na preparação para as comemorações do Centenário da Independência, em 1922.
Em 1920, o presidente Epitácio Pessoa, revogou oficialmente, o banimento da família imperial brasileira, permitindo o seu retorno ao país após mais de trinta anos de exílio.
No ano seguinte, o conde d’Eu e D. Pedro de Alcântara viajaram para o Brasil, acompanhando os restos mortais de D. Pedro II e D. Teresa Cristina, que seriam trasladados para a Catedral de Petrópolis, na preparação para as comemorações do Centenário da Independência, em 1922.
Mas D. Isabel não conseguiu realizar o sonho de rever a sua terra natal.
Muito doente, permaneceu na França.
Ela faleceu no Château d’Eu, em 14 de novembro de 1921, apenas um dia antes de completar trinta e dois anos da Proclamação da República, que lhe roubara a pátria.
Nunca mais pisaria no Brasil.
A fotografia de 1919, portanto, regista muito mais do que um casal de idosos.
Muito doente, permaneceu na França.
Ela faleceu no Château d’Eu, em 14 de novembro de 1921, apenas um dia antes de completar trinta e dois anos da Proclamação da República, que lhe roubara a pátria.
Nunca mais pisaria no Brasil.
A fotografia de 1919, portanto, regista muito mais do que um casal de idosos.
Ela mostra duas pessoas, que acreditaram servir o Brasil até ao último dia das suas vidas.
Mostra uma mulher, que libertou mais de 700 mil brasileiros da escravidão, mas terminou os seus dias longe da própria terra.
Mostra um homem, que combateu na Guerra do Paraguai em nome do Império e envelheceu sem voltar ao país que aprendera a chamar de lar.
É uma fotografia silenciosa.
Mas poucas imagens, contam tão bem o preço que o exílio pode cobrar.
Mostra uma mulher, que libertou mais de 700 mil brasileiros da escravidão, mas terminou os seus dias longe da própria terra.
Mostra um homem, que combateu na Guerra do Paraguai em nome do Império e envelheceu sem voltar ao país que aprendera a chamar de lar.
É uma fotografia silenciosa.
Mas poucas imagens, contam tão bem o preço que o exílio pode cobrar.
13
Jul










