A Janela do Quinto Andar

A Janela do Quinto Andar

A Janela do Quinto Andar

Todos os dias, exatamente às cinco da tarde, uma menina internada num hospital, caminhava até a janela do quinto andar. As enfermeiras imaginavam que ela estivesse esperando os pais. Mas não era isso, ela apenas ficava olhando para a praça do outro lado da rua.
Certa tarde, um senhor que cuidava da limpeza das calçadas percebeu que havia alguém na janela. Sem pensar muito, levantou a mão e acenou.
A menina sorriu.
No dia seguinte, ela voltou. Ele acenou outra vez, e isso continuou acontecendo durante meses. Eles nunca conversaram. Nunca souberam o nome um do outro.
Quando o inverno chegou, o senhor passou a carregar no bolso um pequeno catavento colorido. Sempre que chegava perto do hospital, fazia questão de girá-lo no ar antes de olhar para a janela e lá estava ela, sorrindo.
Certo dia, porém, a janela permaneceu vazia. No outro também. E no seguinte.
Mesmo assim, todas as tardes ele continuou passando por ali. Continuou levantando o catavento. Continuou acenando.
Uma enfermeira, que observava a cena da recepção, desceu até a calçada.
— O senhor a conhecia?
Ele balançou a cabeça.
— Não.
Ela sorriu com os olhos marejados.
— Ela recebeu alta na semana passada. Antes de ir embora, pediu que eu lhe entregasse isto.
A enfermeira estendeu um desenho feito com lápis de cor.
Era a janela do quinto andar, a praça, um homem segurando um catavento e, no canto da folha, uma frase escrita com letras infantis: “Obrigada por me lembrar que ainda existia um mundo bonito esperando por mim”.
O senhor permaneceu olhando para o desenho por um longo instante. Naquela tarde, compreendeu que nunca saberia tudo o que um simples aceno havia significado.
Essa é uma das maiores belezas da vida. Quase nunca percebemos o alcance da esperança que oferecemos aos outros. Um sorriso, um gesto de carinho ou alguns segundos de atenção podem se tornar a razão pela qual alguém decide continuar acreditando que o amanhã ainda guarda coisas boas.
Não conseguimos mudar o mundo inteiro. Mas sempre podemos ser a pequena janela de esperança que devolve luz ao dia de alguém.
A Janela do Quinto Andar
Caobe

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